segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Em breve




Volto em breve!

=)

E.Alvarez

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Acidente

Paixão decorrente
Desejo latente,
Ilusão dançante
Tempo inconstante
Dias andantes
Noites perturbantes
Com o coração desconcertante.




E. Alvarez

sábado, 8 de agosto de 2009

Sobre as Coisas que Eles (não) Sabem

Para aquele que vive tomando Café da Manhã em Plutão


(Photo by VJrockphotography)



" As pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem, há o que são e nem sempre se mostra ..." (Caio F. In Morangos Mofados)


E lá vem ele com aquele jeitinho único. Jeito de mistura. Menino, homem... que no fim, não sabe o que causa a ela. Ele naquela delicadeza dele. Um silêncio típico,frieza com gosto de café. Uma eterna busca de questionamento sobre o quê ela é ou o quê os dois são quando estão (quase) juntos. Nem ele sabe. Nem ela. E para que saber? Uma sensibilidade de quem vive em meios dos versos, crônicas, sons, gostos, imagens cinematográficas e ausências que perpassam o tempo.... Ele e ela...às vezes numa coisa só. Um silêncio maquiado, palavras que dizem sem dizer. Aquela coisa que faz lembrar o cinema mudo. Tanta coisa não-vivida-não-entendida. Tantas palavras não ditas. O quase todo e devastador silêncio.
Às vezes me pergunto o porquê do distanciamento desses dois. Tanta coisa em comum, tanta literatura e tantas coisas meio caioclaricianas para se discutosentir . Tanto não pensar sobre um (não) querer.
É essa falta de (des) entendimento que a leva a (não) pensar sobre tantas (não) coisas. Sobre tantos textos não terminados sobre ele. Sobre tantas entrelinhas, sobre os (não)sentires. Sobre o telefone que toca e não se sabe bem o que dizer. Sobre o convite para um café não aceito. Sobre os medos mascarados, sobre as pausas... Sobre. Sobre.

E. Alvarez

domingo, 26 de julho de 2009

LUIZA

L uz que iluminava os meus pensamentos mais sombrios,
U nidade de pensamento e amor que de mim cuidava
I ngrata e libertadora a Morte que te levou de mim
Z eladora do querer
A mada e inesquecível geradora de Amor, descansa em Paz.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Tempo


"O Tempo corre e a Vida escorre."

terça-feira, 26 de maio de 2009

Cobertura Cinza

Helena acordou naquela manhã cinza e chuvosa às dez da manhã. Abriu a janela e só via a chuva cair. Não havia nada mais do lado de fora além da chuva. Sem apetite, acendeu um cigarro, ainda sentindo o gosto do vinho da noite anterior nos lábios. Ela não conseguiu fazer nada. Tanto peso nas costas e tantas coisas chatas para ler e assinar. Não conseguia pensar em nada. Só tinha em mente aquela chuva que não parava. Abriu a janela novamente e só via os prédios sem vida. Foi aí que tentando ver algo mais, viu dois pássaros conversando em cima da antena de um dos prédios. Conversavam tanto. Batiam as asas para que um entendesse o outro. Ela não conseguia pensar em nada além disso. Estava sendo tão irresponsável que gostava daquela sensação de não conseguir pensar em nada. Não queria pensar em nada. Queria ficar olhando o céu cinza e ficou. Ficou ali por minutos e mais minutos. Um cigarro atrás do outro. As coisas que não podiam chegar dentro dela chegaram. Os pássaros tinham trazido? Tudo começou como um fluxo que se tornou mais incansável dentro de Helena. Um pensamento atrás do outro. Um sentimento atrás do outro.
Um dos pássaros gritou e ela também queria gritar. Estava sozinha naquele apartamento e dali não queria sair. Queria que o dia ficasse cada vez mais cinza. Queria sentir frio, mas naquela cidade não faz frio. Nunca fez. Havia os prédios, mas não havia frio. Ela ainda queria gritar com aqueles pássaros. Queria segui-los, mas não podia. Queria estar ali porque, de certa forma, aqueles apartamentos a faziam lembrar de tanta coisa que já não cabia dentro dela. Queria a presença sutil do que já tinha visto e vivido. Faltava o frio, faltava o frio. Os minutos passavam e a faziam se sentir culpada. O dia já tinha sido cortado pela metade e ela só tinha mais uma hora e meia para olhar para o céu cinza. Outro cigarro e ainda faltava o frio. E lá vem a Edith Piaf com aquela história toda de Non, Je Ne Regrette Rien para deixá- la mais confusa. Mais um cigarro e ainda tem vinho aberto. Ainda faltava o frio!! Cadê ele for God's sake? Ela ainda tinha uma hora! Era tão pouco diante daquele dia tão lindo! Tanta coisa que tinha ali! Os prédios, a cobertura cinza do céu, os pássaros, a Edith, o resto de vinho e a briga constante com a ausência do frio! Para que e porque aquela hora tinha que acabar? Para que o barulho dos carros começasse, para que as vozes começassem a perturbar, para que as perguntas que ela já estava cansada de responder se fizessem presentes novamente . Ela só tinha uma hora e agora lá vem a Cat Power com o lance de How can I tell you. Os pássaros ainda lá, mais vinho, o céu sem sorrisos, a chuva já ausente. Nada de almoço só vinho e queijo branco. Os minutos pareciam correr e ela queria era mesmo abraçar o céu, conversar com os pássaros ou seria abraçar os pássaros e conversar com o céu? Não importava, o que importou foi que inevitavelmente os minutos delas acabaram. Saiu da janela, deu o último trago, olhou os pássaros que quase dormiam. Trouxe o céu para dentro de si, mais uma mordidinha no queijo branco, um gole de vinho, um sorrisinho de canto de boca. Foi tomar banho. Já era 1 da tarde e as perguntas viriam assim que ela batesse o ponto. E ela com aquela máscara adaptável, com a maquiagem quase pronta e já ensaiando os sorrisos necessários ainda sentia a ausência do frio.

E. Alvarez

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Quase Inerte

(Para ler ao som de Videotape do Radiohead)



(Photo by BonzaiBakurai)


…No matter what happens now
I won't be afraid
Because I know
Today has been the most perfect day I have ever seen...
( Radiohead in Videotape)


E ele estava ali, quase inerte, sentado à beira da calçada. Era domingo à noite e ele não sabia bem o que fazer. Era uma mistura de sentir e não sentir. Sentia-se frio e ao mesmo tempo parecia queimar por dentro. Não, não consegui chorar. Era orgulhoso até consigo mesmo. Seu rosto quase petrificado denunciava as linhas do tempo e peso que trazia nas costas. Olhava a rua e seu olhar era disforme assim como as horas de sua vida. A barba era manchada de cigarro e seus lábios secos.
E ele estava ali, quase inerte, sentado à beira da calçada. Lembrava de tanta coisa que seus quarenta e dois anos de idade pareciam sessenta. Lembranças vinham como num videotape de fita amassada. E ele pensava nas noitadas que havia vivido, quantas doses de Blue Label já havia tomado, quantos amores haviam sido dilacerados, quantas putas tinha tentado beijar em fim de sexo vazio, quantas sentenças havia dado vestido com a toga que lhe pesava na alma, quantas vezes havia desistido de fazer teatro, quantas noites de cama vazia após dois casamentos fracassados e quantas vezes havia deixado de sorrir. Já eram duas da manhã e ele continuava ali. A garrafinha de whisky já havia acabado, os cigarros já estavam no fim e seu coração parecia naquela noite se confundir com o cinza do asfalto.
As pessoas passavam na rua já com aquelas expressões de fim de festa e o observavam quase inerte. A calçada da praia de Copacabana ainda tinha aquele movimento comum de fim de noite, quase dia. Poucos que ali passavam entendiam o peso do mundo dentro dele. As horas se arrastavam assim como seus pensamentos quase distorcidos. Não estava bêbado. Precisava estar quase sóbrio para que a consciência abraçasse o inconsciente.
Quase sozinho viu quando o mar pariu o sol anunciando mais um dia de dúvida e de ponto para assinar na repartição pública. Estava cansado, pensou em voltar para casa, mas o cedo da manhã o fazia sentir que já era tarde. E ele estava ali, quase inerte, sentado à beira da calçada quando fez um movimento quase brusco, quase leve, quase de entrega, quando aquele carro passou.

E. Alvarez