terça-feira, 10 de junho de 2008

Quase sem Rima



Despeito sem jeito
Respeito fora de eixo
Paixão pedindo não
Vento segurado pelo tempo
Palavra jurada e atada
Senso não denso
Poesia atada e vomitada
Verso barato
Pouca lucidez misturada à frigidez
Frieza
Dor
Calor
Sentimentos desconexos e o
Amor que acaba rimando com dor, mas também com frescor
Paixão rima com não e
Minha embriaguez rima com a tal poética lucidez
Música sempre rimou com Chico e agora também com Caetano
Tempo rima com um vão e escuridão, mas
Certeza rima com destreza
Mentira rima com ira
Não tenho a isometria de Camões, mas tenho uma quase sínica maestria
E a minha má poesia rima querendo quase não rimar com a minha anemia de desconhecimento de versos, que são quase brancos, incertos e desconexos.


E. Alvarez

sábado, 7 de junho de 2008

A Espera



Te esperei tanto que meus versos cansaram
Nem cigarro para acender um verso tenho
Meu amargo café e minhas rimas acabaram.


E. Alvarez

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Sexo Épico




Sei do futuro tétrico
E nosso sexo épico
Me deixa cético
Nesse colchão bélico.



E. Alvarez

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Rostinho de Anjo

Era indiferente.Não sabia o que sentir e não saber o que sentia já era indício do não sentir. Isso a assustava mas ela não desistira de saber o que estava acontecendo dentro de si mesma. Sua frieza era típica e ela as vezes nem chorar conseguia.


Sinto que hoje te matei. Matei a possibilidade de te ter dentro de mim. Sentir você nadando dentro mim. Sonhos me mostraram que você me queria. Já imaginava teu rosto branco e cândido querendo os meus braços. Desculpe-me se ainda não posso te amar e você apenas foi uma possibilidade de amor concreto,meu amor maior.
Antes que você chegasse, eu fui fraca e destruí todas as possibilidades da tua existência.
Sei que não posso imaginar o seu sorriso e nem teu cheiro. Sou apenas um ser humano egoísta que ainda não está preparada para teu amor.
A única coisa que sinto são morcegos dentro do meu estômago vazio de possibilidades. As dores vão e vem num ritmo da Sinfonia nº 5 de Beethoven.
Sento num bar, peço a bebida que me embriaga para esquecer que você poderia ser parte de mim agora. Esvazio a garrafa verde, peço café sem açúcar e choro pelo último cigarro. Faz frio e tudo que quero é cantar pra você sua cançãozinha preferida, mas tudo o que tenho aos meus ouvido é a voz chorosa da cantora lírica me lembrando da sua não existência e o garçom mal humorado no fim do expediente.
Sabe que sonhar com você me dói porque eu não sei quando você vai chegar e se ao menos pode existir? Não é fácil pensar no seu amor puro e no teu choro no meio da noite. Divirto-me em pensar se você gostaria de maçã ou pêra. Choro e sinto que você vai demorar a chegar. Você não sabe a hora e nem eu deixo você chegar. Ensaio o seu sorriso na minha mente para que eu sinta ainda uma possibilidade de tocar na tua mão e andar no parque num fim de tarde.
Perdoe-me só dessa vez por não te deixar existir. Sei que você seria o meu melhor soneto, minha melhor composição, minha melhor lira, minha pedra poética lapidada.
Perdoe-me se esse não é meu melhor texto. Perdoe-me se não te dei a oportunidade de me sentir.
Perdoe-me, pois a única certeza que tenho é que te matei hoje, meu mais puro conto com rostinho de anjo.

E. Alvarez

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Yin Yang *

"Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas."(Pablo Neruda)



Permanecia sentada. Quase imóvel. Demorei a percebê-la. Não sabia se ela gostava do Neruda ou do Bandeira, se ela gostava de azul ou de rosa. Não sei o porquê da minha demora em percebê-la e nem sei se é preciso ter pressa para perceber coisas.
Imaginei se ela era de touro ou de virgem. Se gostava de maçã ou de pêra. Enquanto meu pensamento se perdia olhando para sua nuca desenhada, ela permanecia ali parada, ali quase imóvel.
Ela não falou comigo. Se falase o que teria a me dizer? Imaginei se ela era de Chico ou de Caetano, rubro negra ou fluminense.
Em tudo isso eu pensava enquanto alguém se aproximou dela e pude perceber de longe seu primeiro sorriso. Pensei: Gosta do Almodovar ou do Woody Allen?
A praça estava cheia e ela já não era imóvel e quem a acompanhava já ali não estava. O qua ainda fazia ali? Comeria pipoca ou algodão doce?
Pensei em ir falar com ela e perguntar se ela prefere o céu azul ou cor de crespúsculo.
Levantei peguei uma florzinha rosa do jardim e fui até ela. Ela me recebeu com um sorriso singelo, daqueles que parecem um poema da Florbela Espanca. Ainda não sabia se seria doce ou salgado.
Passamos a tarde juntos, conversamos sobre cores, sabores e da atmosfera daquela praça. Rimos juntos. Senti a presença de borboletas azuis no meu estômago. O céu estava tão amigo que esboçou uma mancha de arco-íris. O dia já estava quase acabando quando alguém se aproximou,a pegou pelas mãos e beijou levemente seus lábios. Neste momento as borboletinhas azuis batiam as asas bem devagarinho e me deixaram com enjôo. Ela se despediu de mim com um sorriso.
Levantei do banco de madeira, comprei um saquinho de pipoca.Doce ou salgada? Não lembro. Fui para casa. Nunca soube o quê se seríamos juntos. Nunca soube se ela era Yin ou Yang.

E. Alvarez

*Escrito ontem no ar e sob algum mar. ( A caminho de São Paulo)

segunda-feira, 31 de março de 2008

Quase Desabores

Há tantos sabores que se perdem por línguas não curiosas e tempo desconexo. Viram quase desabores.

E. Alvarez

sexta-feira, 28 de março de 2008

Sempre o MAS

"Se não conheço os mapas,
escolho o imprevisto:
qualquer sinal é um bom presságio
".
(Lya Luft)



(photo by Night-Fate -Deviantart)


É tarde e penso sobre o MAS e o seu existir. O MAS nos trás uma ponte entre uma possibilidade hipotética e a total impossibilidade. O MAS parece um comixão eterno, daqueles que nunca fazemos questão de nos livrar.
É sempre assim, o MAS nos escraviza e nos faz pensar demais. É quase sempre o MAS que nos rouba a vontade real de sentir. O MAS nos livra deliberadamente da vontade de tocar e de conhecer. O MAS é ladrão de possibilidades que são reforçadas pela nossa falta de tempo e a falta de olhar. O MAS cria e destrói laços, O MAS me puxa esta noite e me leva a um punhado de interrogações que agarro de mão fechada. É, é o MAS que me estraga e me fortalece. É o MAS que me distancia de mim. É o MAS que me deixa perto de mim. É assim MAS...

E.Alvarez